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sexta-feira, 25 de março de 2011

Morre agente penitenciário baleado


RIO - A Secretaria estadual de Saúde informou, na tarde desta sexta-feira (25), que o agente penitenciário baleado em Realengo, na Zona Oeste do Rio, nesta manhã, morreu. De acordo com a polícia, a vítima foi atingida por cinco tiros. Ainda não há informações sobre as circunstâncias em que ele foi ferido.

Segundo a Secretaria, o agente chegou a ser levado para o Hospital Albert Schweitzer, também em Realengo, passou por uma cirurgia e estava internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI), mas não resistiu.

O caso foi registrado na 34ª DP (Bangu).

Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/03/morre-agente-penitenciario-baleado-no-rio-diz-secretaria-de-saude.html

Líder em homicídios, Alagoas é um dos que menos recebem do Pronasci


O Estado de Alagoas, primeiro lugar no ranking de homicídios no Brasil em 2009, com 63 assassinatos por 100 mil habitantes, recebeu entre 2008 e 2010 menos verbas do Programa Nacional de Segurança Pública (Pronasci) do que 13 Estados brasileiros. Os alagoanos ganharam no período R$ 71,4 milhões, menos do que o Rio Grande do Norte e Piauí, este último com 8,6 homicídios por 100 mil habitantes.

O Ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, admitiu a distorção na distribuição de verbas federais no setor e anunciou a criação de um Sistema Nacional de Informação para ajudar a corrigir o problema, o que deverá proporcionar a Alagoas um substancial aumento no repasse de recursos. Ele participou ontem de seminário na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) sobre segurança pública.

"Precisamos organizar um Sistema Nacional de Informações que permita ao governante de âmbito federal ter análise, se possível em tempo real, de ocorrência da criminalidade. Se nós não tivermos isso, e não soubermos onde há um aumento e redução de criminalidade, nós não teremos condições de fazer nunca uma política equânime e focada no combate dos atos ilícitos", afirmou Cardozo.

De acordo com dados obtidos pelo Estado, as três unidades da federação que mais receberam verbas federais do Pronasci são, respectivamente, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia. O primeiro e o terceiro colocados são administrados por aliados do governo federal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte : http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=228167

Tenente prende soldado que não quis dirigir viatura


O soldado da Polícia Militar José Sales, do 8º Batalhão em Rio Largo, recebeu voz de prisão por ter se recusado a assumir o volante de uma viatura. O episódio ocorreu na tarde desta sexta-feira. A ordem de prisão partiu da tenente Rejane Manuela e tem sustentação no código interno da tropa: a desobediência a uma determinação superior pode ser punida com detenção.

Segundo as informações apuradas pelo repórter da Gazeta Marcos Rodrigues, o soldado Sales alegou “um problema de visão” e também o fato de não ter documento que lhe permitiria conduzir veículo militar. Não adiantou.

O policial “infrator” foi mesmo punido com prisão, que deve durar 72 horas, e vai responder a processo. Se condenado, receberá sentença mais dura. Ele prestou depoimento na Corregedoria e foi levado ao quartel para ficar preso.

A Associação de Cabos e Soldados critica o desfecho do caso. Colegas de farda de Sales disseram que, enquanto militares são assassinados, e a população cobra a prisão de bandidos, “a polícia prende a polícia”.

Fonte: http://celiogomes.blogsdagazetaweb.com/2011/03/25/tenente-prende-soldado-que-nao-quis-dirigir-viatura/

Peluso compara presídios brasileiros a "masmorras medievais"


SÃO PAULO. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Antônio Cezar Peluso, fez duras críticas ao sistema penitenciário brasileiro em palestra na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo, nesta sexta-feira e comparou os presídios a "masmorras medievais". Ele reclamou do "fracasso" e da "falência" do sistema carcerário, que sofre com o desprezo do Poder Público.

- O país tem encarceramento em condições desumanas, em masmorras medievais - disse. - E quanto à ressocialização dos egressos do sistema (penitenciário), isso não pode continuar a ser um assunto subalterno - afirmou.

Na opinião do ministro, as situações de insalubridade e precariedade dos presídios brasileiros são "um crime do Estado contra o cidadão".

Peluso também disse ser favorável à integração das polícias no Brasil. Falando sobre casos recentes de criminalidade que causam preocupação, Peluso citou a tentativa de homicídio de um jovem desarmado por policiais militares no Amazonas.

- Foi grave o acontecimento no Amazonas, em que policiais militares tentaram matar um jovem desarmado. O jovem se salvou por má pontaria - disse Peluso.

O presidente do STF saiu da palestra na FAAP sem falar com a imprensa.

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/03/25/peluso-compara-presidios-brasileiros-masmorras-medievais-924086210.asp

Sistema prisional: até onde vai a criatividade humana?


Que mal pode conter num simples e inofensivo pacote de macarrão instantâneo? É o que muitos parentes de apenados do sistema prisional brasileiro perguntam aos agentes, em dias de visita, durante a revista de alimentos que entram na penitenciária. Para eles – e para você – segue a resposta abaixo.

Num presídio para presos provisórios em Palmas (TO), duas pessoas foram presas nesta quarta-feira (23) porque levaram um pacote de macarrão instantâneo para o detento que iriam visitar. Só que o ‘recheio’ da guloseima não era mussarela nem presunto.

Um aparelho celular e quatro chips estavam carinhosamente embrulhados dentro do macarrão. Dá para engolir essa?...

Só para fazermos um parâmetro: o presídio de presos provisórios de João Pessoa – o famoso Róger – tem hoje cerca de 900 detentos. Já pensou se um terço deles recebe um delicioso Nissin Miojo todo domingo? Alguém sabe o que é ter de tirar da embalagem e ‘rasgar ao meio’ 300 unidades dessa massa oriental?

Para piorar a situação, ainda tem o trocadilho com um conhecido ditado popular: “nem só de macarrão vive o [preso] homem”.

Que mal pode conter num simples e inofensivo pastel?...

Fonte: http://www.paraibaemqap.com.br/noticia_destaque.php?id=6814

Agente penitenciário denuncia caos no sistema


O agente penitenciário Walter Lima, presidente da Associação dos Agentes de Segurança Penitenciária da Paraíba, em entrevista no programa Paraíba Agora, da Rádio Paraíba FM (101,7), com os apresentadores Marcelo José e Lenilson Guedes, fez graves denúncias contra o sistema carcerário do estado.Numa das denúncias, Walter Lima aconselhou o Secretário João Alves Formiga, da Secretaria do Estado da Cidadania e Administração Penitenciária, a pedir exoneração do cargo, alegando que ele não têm condições morais de continuar no comando da referida secretaria."Na verdade existe uma rixa entre o secretário Formiga e o secretário Executivo Sargento Denis. Estamos torcendo para que o secretário Formiga deixe a secretaria. Ontem (16) a imprensa só entrou no Presídio do Roger porque o sargento Denis autorizou. O secretário Formiga teria proibido o diretor Porto de falar com os jornalistas e de gravar qualquer tipo de entrevista", disse.Walter Lima contou ainda que o secretário Formiga é despreparado para assumir um tão importante cargo no governo de Ricardo Coutinho.

Perguntado por Marcelo Jose se Walter não tinha medo de retaliações por parte do secretário, ele respondeu que não. "Não tenho medo. Estou apenas relatando um caso que a maioria dos agentes têm vontade de fazer mais não têm coragem", explicou Walter.

Fonte: http://www.paraibaja.com.br/?p=noticia_int&id=8917

quinta-feira, 24 de março de 2011

Reflexões acerca do sistema penitenciário



Uma visita ao sistema penitenciário nos impõe inúmeras reflexões acerca da vida, de gênero, de políticos, de corrupção e de políticas públicas.

Algumas indagações precisam de respostas urgentes. O que queremos dos nossos presos? Recuperá-los ou dizimá-los? Aquela população nos incomoda porque reflete a nossa sociedade, as nossas prioridades e as nossas deficiências. Há décadas os presidiários são renegados a um segundo plano ou, talvez, a um plano inexistente.

Numa olhada em cada cela encontramos seres humanos, olhares perdidos, vidas sem sonho, a não ser o da liberdade a qualquer custo. Do outro lado das grades, agentes aflitos para superar e suprir as deficiências e carências do sistema, numa luta árdua para o cumprimento do dever, diga-se de passagem, sem a menor infraestrutura.

Uma sensação de impotência, de falta de rumo, de indefinições e, sobretudo, ausência de políticas para o setor. Será que José Arbex Jr. estava certo quando disse em seu artigo, Chuva de Vampiros, que “não há ausência de política pública, esta é a política do Estado, as migalhas que sobram após a farta remuneração do capital”?

Não estou aqui defendendo a criminalidade e, muito menos, fazendo apologia ao crime, defendo a ressocialização dos seres humanos apenados; essa é a tarefa do Estado quando assume custodiá-los.

O estado de Alagoas disponibiliza 15 milhões por ano de seu orçamento para a manutenção do sistema penitenciário, que inclui 05 presídios, em contrapartida, se sabe do desvio de 300 milhões do Erário, que custeariam décadas de manutenção desse sistema. A pergunta que não quer calar é: onde estão detidos os que desviaram esse montante? Por que não se encontram no sistema?

Não adianta isolar homens e mulheres que cometeram crimes, se não temos a pretensão de recuperá-los, de trazê-los ao convívio humano. Há que se apresentar alternativas de vida e isso só é possível, educando, construindo novas possibilidades, plantando esperanças. O ócio não constrói!

O presídio feminino é um exemplo de construção de uma nova forma societária. Lá se tem uma demonstração de tentativa de recuperação de 115 mulheres que cometeram crimes; destas, 85 se mantêm ocupadas com atividades produtivas. A limpeza, a auto-organização das reeducandas é algo impressionante, que salta aos olhos. Elas formam uma comunidade que, assim como as formigas e as abelhas, procura viver coletivamente da melhor forma possível, busca saídas para o tempo perdido, se ajuda e preserva o espaço onde vive. Com essas reeducandas se tem um investimento no futuro fora das grades, numa vida nova!

Além desse investimento, o que faz desse presídio diferente? O número menor de reeducandas, as iniciativas exitosas da direção no sentido de buscar ocupações para aquelas mulheres, mas, também, a natureza feminina, com seu instinto maternal, organizacional e solidário, sem que aqui eu me valha de qualquer sexismo, trata-se apenas de um registro.

Dessas constatações o que nos resta é pensar e tentar contribuir de alguma forma… Reflito! O que os nossos governantes pensam para o futuro? Será que têm filhos, netos, sobrinhos? Será que pensam em qual mundo querem construir para eles? Será que pensam que a construção de presídios resolverá o nosso problema de segurança? Será que jogar criminosos atrás das grades nos exime da responsabilidade que temos com eles?

A ausência de políticas públicas, a falta de responsabilidade do Estado em suas atribuições destroem sonhos, perspectivas e esperanças dos que dele dependem para viver e o que nos espanta é que a cada ano os episódios se repetem e muitos se locupletam dos acontecimentos sem a menor dor na consciência.

Sobre a autora

Cláudia Muniz do Amaral


Procuradora de Estado, vice-Presidente do Conselho de Segurança e Coordenadora do Curso de Direito da Seune