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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

NOSSO FURACÃO É O MEDO



Em outros países, os desastres naturais tendem a ser menos devastadores, face o esforço sinérgico de governo e sociedade. Por aqui, o medo vem apossando-se de nossa população, na proporção direta da descrença nas ações de defesa da sociedade e da desconfiança nas autoridades e instituições destacadas para realizá-la. 

Ocorrendo quebra de confiança na capacidade do Estado proteger os seus, o medo se espalha e a crise se instala. De um lado, o cidadão sofre com a sensação de insegurança, chegando a pensar que o "rei está nu", o que leva à propagação das milícias e a busca de soluções na indústria da insegurança. De outro, o criminoso perde o receio de sua ação ser limitada e contida por uma força contrária, ensejando seu cálculo de custo-benefício a levá-lo a atitudes mais ousadas. Tudo se agrava se é criada uma cultura do terror, através da qual a morte de policiais ou o incêndio de ônibus tornam-se prêmios em uma escala valorativa da criminalidade. Lembram os animais mostrando força para a matilha, buscando conquistar espaço.

Se a liberdade do homem deve ser mediada institucionalmente, os fundamentos civilizatórios devem ser introjetados através procedimentos socialmente adequados, v.g. a milenar educação. Educação com início na família, onde são (?) ensinados os valores, os costumes, as regras, passando pela escola e pela igreja, onde são (?) fortalecidos, terminando no convívio social, onde são (?) praticados e consolidados.

Esse ciclo vem perdendo substância – daí, as interrogações – por vários motivos: desestruturação familiar, origem do hiato entre concepção de responsabilidade familiar de ontem e impossibilidade de cumprimento pela família de hoje; depreciação do Educador, a base da educação escolar; a ressocialização, ficção em estabelecimentos penais. A falta de políticas públicas efetivas em relação à criança em situação de risco, ao jovem em conflito com a lei, à população em situação de rua, ao encarceramento são questões de Estado que já se constituem numa síntese hegeliana. O medo sentido hoje, por descrença e desconfiança, será transmudado em terror amanhã, se nada for feito.

A médio e longo prazos, urge um planejamento de defesa social que, em paralelo à inclusão, recubra as vulnerabilidades na família e priorização do Educador, resgatando sua autoridade, seu empoderamento e, sobretudo, sua dignidade. A curto prazo, retomar a confiança da população, reduzindo a sensação de insegurança, através policiamento bem visível, reforçando a interação comunitária, investimento na polícia judiciária, principalmente em sua estrutura de inteligência e na polícia penal. Emergencialmente, envolvendo líderes comunitários, religiosos, voluntários e utilizando a Escola, desenvolver um mutirão, um grande esforço de guerra, através de palestras multidisciplinares, com alunos e famílias, sobre o corpo social, cidadania e, principalmente, civilidade.

Lamentavelmente, nossa população necessita ser reeducada para a convivência harmoniosa e pacífica!...


Amauri Meireles - Coronel da Reserva da PMMG

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